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Imbu Brasil
Desde: 03/04/2001      Publicadas: 27      Atualização: 12/05/2012

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  28/10/2005
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Utilização do mandacaru (Cereus jamacaru P. DC.) pelos pequenos agricultores na alimentação de caprinos no Nordeste semi-árido

RESUMO





Para avaliar o consumo de mandacaru por caprinos no período de seca na caatinga, foram selecionados ao acaso 12 animais na comunidade de Alto do Angico, Petrolina, PE, no período de agosto a novembro de 2003. Foi determinada a fitomassa do mandacaru (Cereus jamacaru P. DC.) e a porção consumida pelos animais no período de suplementação. Os animais foram separados em dois grupos, sendo que um grupo permaneceu em pastejo contínuo na caatinga e o outro recebeu suplementação com mandacaru no período de 90 dias. No período de observação os animais consumiram, em média, 196,95 kg de mandacaru. O consumo diário de mandacaru por animal foi de 2,18 kg/dia. Os animais que receberam suplementação tiveram uma perda de peso, média de 16% no período, enquanto que os demais animais perderam, em média, 26% do peso vivo em relação ao peso inicial.


Utilização do mandacaru (Cereus jamacaru P. DC.) pelos pequenos agricultores na alimentação de caprinos no Nordeste semi-árido
Utilização do mandacaru (Cereus jamacaru P. DC.) pelos pequenos agricultores na alimentação de caprinos no Nordeste semi-árido




INTRODUÇÃO


Na região semi-árida do estado de Pernambuco, a vegetação é caracterizada pela predominância de plantas arbustivas-arbóreas, as quais constitui-se na fonte básica de alimentos para os rebanhos, principalmente de caprinos.
Contudo, esse rebanho alcançarem baixos níveis de produtividade decorrentes, principalmente da irregularidade na oferta de forragens. As folhas caídas das arvores e arbustos se constituem no alimento mais importante para os rebanhos da região semi-árida no período da seca (Kirmse & Provenza, 1982).
Todavia, o rebanho de caprinos da região semi-árida do Nordeste estimado em 8,3 milhões de cabeças (Araújo, 2004), exige dos pequenos agricultores um esforço adicional para suplementação alimentar nos longos períodos de estiagem que ocorre na região. Na suplementação dos animais, a maioria dos agricultores utiliza as cactáceas nativas da caatinga.
Segundo, o SEBRAE (2001), na região semi-árida do Rio Grande do Norte, a retirada de cactáceas da caatinga para alimentação dos animais nos períodos mais críticos da seca, têm sido a última alternativa utilizada pelos pequenos agricultores.
O objetivo deste estudo foi avaliar o consumo de mandacaru pelos caprinos na comunidade de Alto do Angico, Petrolina, PE, utilizado pelos agricultores para suplementação alimentar dos animais na seca de 2003.




MATERIAL E MÉTODOS




O trabalho foi realizado de agosto a novembro de 2003 na comunidade de Alto do Angico, localizada a 9º 24" 38" de latitude sul e 40º 29" 56" de longitude oeste, no município de Petrolina-PE.
No mês de agosto de 2003, foram selecionadas ao acaso, 17 plantas de mandacaru na área de caatinga da comunidade das quais os agricultores retiraram os cladódios para suplementação dos animais. De cada planta utilizada pelos agricultores, foi determinada a altura, o diâmetro da copa, o diâmetro do caule ao nível do solo, a quantidade de cladódios, o peso total de fitomassa e o peso da parte comestível.
Utilizaram-se 12 caprinos sem padrão racial definido, com peso vivo médio variando de 24,58 a 29,36 kg com idade entre 24 a 36 meses, submetidos a pastejo continuo em uma área de caatinga.
Os animais foram separados em dois grupos. O grupo 1, com 6 animais recebeu suplementação de mandacaru no final da tarde em gaiolas individuais de 1,5 x 1,0 m, confeccionadas com tela de arame.
Os animais do grupo 2, ao final da tarde, eram recolhidos no aprisco até a manhã do dia seguinte quando eram soltos juntos com os demais animais para pastoreio na caatinga.
Foi realizada a pesagem de todos os animais no início e final do experimento. No período de 90 dias, foi ofertado, em média 5,0 kg de mandacaru para cada um dos animais do grupo 1. O mandacaru foi cortado no período da manhã. De cada cladódio foi retirado os espinhos e a parte comestível, a parte lenhosa foi descartada. Diariamente foi determinado o peso do mandacaru ofertado e a sobra no dia seguinte.
Foi realizada a determinação de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA) e a digestibilidade "in vitro" da matéria seca (DIVMS) do mandacaru utilizado, no decorrer do período, no Laboratório de Produção Animal da Embrapa Semi-Árido.
Os resultados obtidos foram submetidos à análise estatística para obtenção das médias, utilizando-se o SAS (1990).




RESULTADOS E DISCUSSÃO



Na comunidade o rebanho estimado de caprinos em 2003 totalizava de 325 cabeças, em sistema de pastejo extensivo, onde a caatinga foi o principal sustentáculo durante todo o ano. Todavia, no período de seca, à utilização das cactáceas, com destaque para o mandacaru foi a alternativa mais utilizada pelos agricultores para suplementação dos animais. No período de agosto a dezembro de 2003, os agricultores da comunidade cortaram 187 plantas de mandacaru para suplementarem seus rebanhos. A altura média das plantas de mandacaru selecionadas na comunidade foi de 5,21 m. A maior altura foi de 6,54 m para planta de número 10, da qual foram retirados 12 cladódios com um peso total de 80,54 kg. Essa planta rendeu 32,22 kg de material comestível para os animais. O número médio de cladódios por planta foi de 10,47. Em média, cada planta proporcionou um total de 29,07 kg de material comestível para os caprinos. Quanto à composição química-bromatológica do mandacaru utilizado pelos agricultores, à análise indicou que o mandacaru continha 25,56% de matéria seca, 6,56% de proteína bruta, 10,86% de fibra bruta e 74,44% de umidade.
Os resultados obtidos por Barbosa (1997) demonstraram que o mandacaru utilizado no período de seca é excelente fonte de proteína bruta para os animais com teores de 9,9 g/kg (de massa verde), aproximadamente. O mandacaru também é utilizado no Agreste da Paraíba pelos agricultores como planta forrageira na seca (Lima e Sidersky, 2002).
Foi ofertado, em média, 5,0 kg da parte comestível do mandacaru aos animais por dia com um percentual de matéria seca, estimado em 4% do peso vivo inicial dos animais. O período de acompanhamento ocorreu entre os meses de setembro a novembro de 2003 no total de 90 dias.
O consumo médio por animal foi de 2,18 kg/dia. No período, os animais do grupo 1, consumiram, em média, 196,95 kg de mandacaru. Quanto à perda de peso dos animais no período de observação, houve uma perda média de 16% em relação ao peso vivo inicial para os animais suplementados com o mandacaru e de 26% para os demais animais.
Embora os agricultores tenham utilizado bastante mandacaru na suplementação dos animais, foi registrada a morte de 13 cabeças de caprinos no rebanho da comunidade.



CONCLUSÕES



A utilização do mandacaru na suplementação alimentar dos caprinos no período de seca contribui significativamente para redução da perda de peso dos animais.
Contudo, a utilização constante dessa planta pelos agricultores, sem um manejo adequado em anos de secas sucessivas poderá levá-la à extinção.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ARAÚJO, G. G. L. Cultivo Estratégico de forrageiras anuais e perenes visando a suplementação de caprinos e ovinos no semi-árido do Nordeste. Agronline. Disponível em: , Acesso em 17 jun. 2004.


BARBOSA, H. P. Tabela de composição de alimentos do estado da Paraíba - Setor agropecuário. João Pessoa: UTPB/FAPEP, 1997. 165p. il. 3.


KIRMSE, R. D.; PROVENZA, F. D. Herbage response to clearcutting caatinga vegetation in Northeast Brazil. In.: SIMPÓSIO BRASILEIRO DO TRÓPICO SEMI-ÁRIDO, 1, 1982, Olinda. Anais... Olinda: EMBRAPA-CPATSA/UFPE. 1982. p. 768-7724.


LIMA, M.; SIDERSKY, P. O papel das plantas nativas nos sistemas agrícolas familiares do Agreste da Paraíba. In.: AGRICULTURA FAMILIAR E AGROECOLOGIA NO SEMI-ÁRIDO: avanços a partir do Agreste da Paraíba. Rio de Janeiro: AS-PT, 2002. 355p.


SAS INSTITUTE. SAS guide to marco processing: version 6.2. ed. Cary: NC; SAS Institute., 1999. 319p.

SEBRAE-RN. Diagnóstico da cadeia produtiva agroindustrial da caprino-ovinocultura do Rio Grande do Norte: comportamento da cadeia produtiva agroindustrial da caprinocultura do Rio Grande do Norte. Natal: SEBRAE/SINTEC. 2001. v. 3. 145p.


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