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Imbu Brasil
Desde: 03/04/2001      Publicadas: 27      Atualização: 12/05/2012

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  01/10/2005
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Riscos de extinção do imbuzeiro (spondias tuberosa arruda) no semi-árido do Nordeste
RESUMO





O trabalho foi realizado no período de novembro de 2000 a junho de 2003 como o objetivo de verificar a ocorrência Amblycerus díspar em sementes e a existência de plantas jovens em de imbuzeiro em seu ambiente natural, na Estação Experimental da Caatinga, EMBRAPA Semi-Árido, Petrolina - PE. Em cada estado, foram selecionadas ao acaso, 17 plantas em fase de produção, coletando-se frutos maduros durante a safra e frutos caídos naturalmente no chão ao final, os quais as sementes foram retiradas e armazenadas em câmara fria. Foram avaliadas a porcentagem de sementes danificadas e a presença/ausência de larvas e/ou adultos na semente. Constatou-se que as sementes provenientes dos frutos colhidos na planta e armazenados, não foram danificadas pelo inseto, não havendo, portanto problemas na germinação. Contudo, 96,5 % das sementes oriundas dos frutos caídos naturalmente no chão, estavam danificadas pelo inseto, tendo sua germinação comprometida. Nestas sementes foram encontradas, em média, 80,30 com larvas e 12,57 com adultos por planta. Os danos são decorrentes em função das larvas se alimentaram do embrião no interior das sementes, resultando na redução ou perda total do poder germinativo. Este fato pode ser uma das causas da baixa germinação das sementes do imbuzeiro em seu ambiente natural, o que contribui provavelmente com a pequena ou quase nula incidência de novas plantas de imbuzeiro no bioma caatinga, prejudicando a dispersão desta espécie.
Riscos de extinção do  imbuzeiro  (spondias tuberosa arruda) no semi-árido do Nordeste
INTRODUÇÃO





Das espécies nativas da região semi-árida do Nordeste, o imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) é uma das que mais se destaca quanto à possibilidade de ser cultivada, visto que seu fruto pode ser aproveitado de diversas formas. Fornece frutos saborosos e nutritivos, os quais são consumidos "in natura" e/ou comercializados pelos pequenos agricultores e também, túberas radiculares doces e ricas em água (MENDES, 1990; LIMA, 1996).


As formas de aproveitamento do fruto do imbuzeiro, tais como, suco de imbu, doce em massa, imbuzada, licor, geléia, etc., demonstram a grande capacidade que esta planta tem para contribuir com o desenvolvimento da região semi-árida (CAMPOS, 1994).


Contudo, tem-se observado à ausência de plantas jovens em seu ambiente natural, cuja causa tem sido atribuída em sua maioria a dificuldade que as sementes do imbuzeiro apresentam para germinar, ao desmatamento desordenado e a utilização de sua madeira para carvoarias.

ANDRADE et alii. (1999) relatam que em um estudo de caracterização de populações de imbuzeiro no Cariri Paraibano, realizado em 4 municípios, foi encontrada apenas uma planta considerada como jovem. Segundo esses mesmos autores, essa ausência de plantas jovens, evidência que esta espécie corre risco de desaparecer em algumas décadas se não for tomadas algumas medidas de preservação.


Por outro lado, GOMES et alii. (1988) afirmaram que, entre as pragas e doenças de maior importância para o imbuzeiro no Cariri Paraibano, o cupim (Cryptotermes sp.) é um dos que se destaca pelos danos causados a planta. O cupim perfura o tronco e galhos das plantas na forma de galerias, causando a morte das mesmas.


No entanto, diversos estudos têm procurado identificar a densidade populacional do imbuzeiro, visando a compreensão de sua resistência as anormalidades climáticas da região e sua capacidade de regeneração aos danos causados pela exploração do homem, das pragas e doenças que ocorrem nessa espécie.

Em um desses estudos, ALBUQUERQUE & BANDEIRA (1995) identificaram 3 plantas de imbuzeiro por hectare num estudo da manipulação da caatinga para produção de forragem na região semi-árida do Estado de Pernambuco.


Em outro trabalho realizado nessa mesma área para o levantamento da densidade populacional das espécies da caatinga submetidas a pastejo contínuo, realizado no período de agosto de 1978 a agosto de 1984 por ALBUQUERQUE (1999), não foi encontrada nenhuma planta jovem de imbuzeiro.


Neste sentido, há necessidade de desenvolver-se pesquisas, cujos resultados possam explicar e contribuir para a preservação do imbuzeiro e de outras espécies importantes para região semi-árida do Nordeste brasileiro.


QUEIROZ et alii. (1992) afirmam que para essas pesquisas serem realizadas mais ativamente com o imbuzeiro e outras plantas nativas da região semi-árida, torna-se necessário a coleta da variabilidade genética existente destas espécies, consideradas prioritárias para essa região e conservá-las em bancos ativos de germoplasmas. No entanto, através de observações realizadas nas áreas de ocorrência do imbuzeiro em diversos municípios da região semi-árida nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, constatou-se que a maioria das sementes de imbu encontrada no solo em baixo das plantas, não germinou porque foram atacadas por insetos que destruíram seus embriões.


Este trabalho teve como objetivo identificar o inseto que estava atacando as sementes de plantas nativas de imbuzeiro, localizadas na Estação Experimental da Caatinga, EMBRAPA Semi-Árido, Petrolina - PE, como também avaliar os danos causados as sementes e a existência de plantas jovens na área de estudo.





MATERIAL E MÉTODOS








Este trabalho foi realizado como objetivo identificar o inseto que estava atacando as sementes de plantas nativas de imbuzeiro na área de caatinga da Estação Experimental da Caatinga (9°21' S - 370 m) pertencente ao Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido (Embrapa Semi-Árido) localizado no município de Petrolina, PE. No período de novembro de 2000 a junho de 2003, foram selecionadas ao acaso, 17 plantas nativas de imbuzeiro em estado de desenvolvimento vegetativo considerado como plantas adultas e em fase normal de produção para realização do estudo, numa área de 21 ha de caatinga.


O trabalho foi desenvolvido em três etapas. A primeira etapa ocorreu em novembro de 2000, quando foi realizada uma limpeza no solo na área equivalente a da copa do imbuzeiro, para retirada das sementes que caíram no chão, nas safras anteriores e para facilitar a colheita de todas as sementes da safra em andamento. A segunda etapa ocorreu durante a safra de 2003, quando foi colhida uma amostra de 392 frutos maduros, em diferentes partes da copa de cada planta, retiradas as sementes e armazenadas em local seco, ventilado com temperatura ambiente. A terceira etapa ocorreu, aproximadamente, 30 dias após a queda de todos os frutos maduros. Nesta etapa, foram coletadas todas as sementes que caíram e secaram no solo, embaixo de cada planta e retirada uma amostra de 392 sementes por planta para avaliação dos danos causados pelos insetos as sementes. Quando todas as sementes completaram seis meses de colhidas, foi quebrada a dormência das mesmas e estas foram plantadas em substrato de areia lavada e irrigadas diariamente para se obter o índice de germinação.


As variáveis analisadas foram as seguintes: a) número de sementes colhidas no solo embaixo de cada planta após a safra; b) número de sementes atacadas pelos insetos em cada planta; c) número de larvas e insetos encontrados nas sementes colhidas após a safra; d) número de sementes atacada pelos insetos que foram colhidas nas plantas durante a safra; e) percentual de germinação das sementes e; f) número de plantas jovens encontradas na área de estudo. As variáveis analisadas foram submetidas à análise estatística para determinação de médias, desvios-padrão e coeficiente de variação (SAS, 1990).





RESULTADOS E DISCUSSÃO





Quanto ao levantamento da existência de plantas jovens de imbuzeiro na área de 21 ha de caatinga, onde foram selecionadas as 17 plantas adultas para colheita das sementes, foram encontradas apenas duas plantas jovens em fase de crescimento. A primeira planta encontrada, apresentava altura de 1,75 m; diâmetro da copa de 1,60 m e diâmetro basal do caule de 3,2 cm. Esta planta encontrava-se a uma distância média de 80 m da planta adulta mais próxima. A segunda planta tinha uma altura de 2,63 m, diâmetro da copa de 2,93 m e o diâmetro basal do caule de 5,06 cm. Quanto a localização, a segunda planta jovem, estava a uma distância de 163 m da planta adulta mais próxima e a 356 m em linha reta da outra planta jovem.


Esses resultados são semelhantes aos encontrados por ANDRADE et alii. (1999). Por outro lado, se diferenciam dos resultados de ALBUQUERQUE (1999) que não encontrou nenhuma planta jovem de imbuzeiro em levantamentos realizados em áreas próximas, o que reforça as idéias de QUEIROZ et alii. (1992) e ANDRADE et alii. (1999) de que há necessidade de estudos e pesquisas que preservem o imbuzeiro.


As sementes provenientes dos frutos maduros colhidos nas 17 plantas durante a safra do imbuzeiro de 2003, não foram atacadas pelos insetos. Esses resultados indicam que, enquanto os frutos permanecem na planta, não são atacadas pelos insetos que causam danos as sementes, pois se tivesse ocorrido algum ataque, deveriam ser encontradas algumas dessas sementes com larvas, insetos ou com o embrião destruído. Quanto ao índice de germinação dessas sementes, observou-se que a média encontrada foi de 60%. As sementes das plantas 9 e 11, apresentaram um índice de germinação de 70 e 75%, respectivamente, após 35 a 75 dias de plantio. O menor índice de germinação foi obtido com as sementes da planta 7, que foi em média de 50%.





Na amostra de sementes coletadas no solo, após a safra do imbuzeiro, apresentaram um percentual de ataque pelos insetos de 96,5 %. Dessas sementes, 80,30%, em média continham larvas de insetos. As sementes que mais continha larvas de insetos, foram as da planta 5, onde foram encontradas 127 sementes com larvas. Enquanto que nas sementes da planta 8, foram encontradas, apenas 15 sementes com larvas. Foram encontrados, em média 12 insetos em fase adulta nas sementes de cada planta. Nas sementes das plantas 3 e 11, foram encontrados o menor número de sementes, num total de 6 insetos. Nas sementes da planta 13, foram encontrados 22 insetos em fase adulta. Estes resultados podem sugerir uma maior ou menor dispersão do inseto ou algum tipo de tolerância a este em função da planta atacada, diante do diferencial de ataque encontrado. Estudos posteriores poderão vir a ser realizados visando a confirmação desta possível hipótese.


Das sementes coletadas após a safra, 10 sementes, em média, por planta, não foram atacadas pelos insetos. O percentual médio de sementes não atacadas pelos insetos foi de 3,27 %.


Os insetos em fase adulta que foram encontrados nas sementes foram coletados e enviados para identificação por taxionomistas do Centro de Identificação de Insetos Fitofagos " CIIF, da Universidade Federal do Paraná. A espécie identificada como a causadora dos danos as sementes do imbuzeiro foi a Amblycerus dispar (Sharp, 1885) (Sharp, 1885; Kingsolver & Ribeiro-Costa, 1997).





CONCLUSÕES





O inseto causador dos danos as sementes do imbuzeiro, foi identificado como sendo o Amblycerus dispar (Sharp, 1885).


O Amblycerus dispar (Sharp, 1885) ataca todas as sementes do imbuzeiro que caem das plantas e permanecem no solo, destruindo seu embrião, impedindo assim sua germinação. Este coleóptero pode ser responsável pela baixa disseminação do imbuzeiro, o que poderá levá-lo a extinção.


Para preservação do imbuzeiro é necessário que as sementes sejam coletadas durante a safra e armazenadas em local protegido.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS





ANDRADE, L. A.; COSTA, N. P.; SILVA, F. S.; PEREIRA, I. M. In.: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 50°, 1999, Blumenau. Resumos... Blumenau: UFPR/SBB, 1999. p. 267.





ALBUQUERQUE, S. G. Caatinga vegetation dynamics under various grazing intensities by steers in the semi-arid Northeast, Brazil. JOURNAL OF RANGE MANAGEMENT 52 (3), May 1999. 52: 241- 248.





ALBUQUERQUE, S. G. & BANDEIRA, G. R. Effect of thinning and slashing on forage phytomass from a caatinga of Petrolina, Pernambuco, Brazil. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v. 30, n. 6, p. 885-891, jun. 1995.





CAMPOS, C. O. Industrialização caseira do umbu - uma nova perspectiva para o semi-árido. Salvador, EBDA, 1994. Reimpressão, 13p. (EBDA. Circular Técnica, 02)





GOMES, J. B.; SILVA, H.; SILVA, A. Q.; FARIAS, M. A. A. Observações sobre pragas e doenças do umbuzeiro (Spondias tuberosa Arr. Cam.) na região do cariri paraibano " Comunicação técnica. In.: VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 13, 1988, Brasília, DF. Anais..., Brasília: UNEB/SBF, 1988. v. II, p. 463-467.





LIMA, J. L. S. Plantas forrageiras das Caatingas - uso e potencialidades. Petrolina - PE:EMBRAPA-CPATSA/PNE/RBG - KEW, 1996. 44p. il.





KINGSOLVER, J. M.; RIBEIRO-COSTA, C. S. Taxonomic notes on Amblycerus Thunberg, 1815 (COLEOPTERA: BRUCHIDAE). INSECTA MUNDI, vol. 11, n. 3-4, Septembre-Decembre, 1997.





MENDES, B. V. Umbuzeiro (Spondias tuberosa Arr. Cam.): importante fruteira do semi-árido. Mossoró. ESAM, 1990. 66p. il. (ESAM. Coleção Mossoroense, Série C - v. 554).





QUEIROZ, M. A.; NASCIMENTO. C. E. S.; SILVA. C. M. M. S.; LIMA. J. L. S. Fruteiras nativas do semi-árido do Nordeste brasileiro: algumas reflexões sobre seus recursos genéticos. In.: SIMPÓSIO NACIONAL DE RECUROS GENÉTICOS DE FRUTEIRAS NATIVAS, 1992, Cruz das Almas, BA. Anais..., Cruz das Almas, BA: Embrapa-CNPMF, 1993. 131 p.





SAS INSTITUTE, SAS language guide for personal, computers, release 6. 2.ed. Cary, NC, SAS Institute Inc., 1990. 319p.


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