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Imbu Brasil
Desde: 03/04/2001      Publicadas: 27      Atualização: 12/05/2012

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  28/10/2005
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Uso da túbera do imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) para o consumo humano
RESUMO








Este trabalho teve como objetivo produzir e testar à aceitação de três formas de picles do xilopódio do imbuzeiro, obtidos de plantas aos 120 dias de crescimento visando à possibilidade do seu aproveitamento como alternativa alimentar e fonte de complementação da renda dos pequenos agricultores da região semi-árida do Nordeste. O trabalho foi realizado no período de janeiro a dezembro de 2002, em uma área sob tela sombrite com redução de luz de 50%, em temperatura ambiente na Embrapa Semi-Árido, em Petrolina - PE. Utilizou-se o delineamento experimental em blocos ao acaso, com três tratamentos e quatro repetições. O picles do xilopódio do imbuzeiro obtido de plantas aos 120 dias de crescimento, processado com salmoura de 2,5% de sal comum e 0,5% de ácido ascórbico foi o mais preferido pelos provadores, seguido do picles processado com a salmoura de 2,5% de sal e 0,5% de ácido cítrico. O xilopódio in natura não obteve boa aceitação quanto à textura.
Uso da túbera do imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) para o consumo humano
INTRODUÇÃO








Uma das principais fontes de renda dos pequenos agricultores no Nordeste é o extrativismo vegetal. Entre as plantas que proporcionam esta atividade, o imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) é a que mais se destaca devido à possibilidade do seu aproveitamento em diversas formas, tais como, suco, doce, imbuzada, licor, xarope etc. Diversos trabalhos constatam a capacidade que esta planta tem para contribuir com o desenvolvimento da região, de forma especial, com a sua industrialização caseira (ANJOS, 1999; CAVALCANTI et al. 2000).


O crescente interesse dos consumidores por frutos tropicais, aliado ao número cada vez maior de pequenas indústrias de processamento de frutas para produção de polpa, poderá tornar os produtos derivados do imbuzeiro, um rentável negócio agrícola. Nas plântulas de imbuzeiro, aos 30 dias de idade a raiz principal atinge um comprimento em torno de 12 cm e um diâmetro na porção tuberculada de 20 mm (LIMA, 1994). A partir desta fase, o xilopódio já pode ser utilizado para o processamento de picles, tornando-se assim, mais uma alternativa de aproveitamento do imbuzeiro, contribuindo para sua preservação e para melhoria das condições de vida dos agricultores, através da renda obtida com esta atividade.


Este trabalho teve como objetivo produzir e testar à aceitação de três formas de picles do xilopódio do imbuzeiro, obtidos de plantas aos 120 dias de crescimento visando à possibilidade do seu aproveitamento como alternativa alimentar e fonte de complementação da renda dos pequenos agricultores da região semi-árida do Nordeste





MATERIAL E MÉTODOS





Foram plantadas 310 sementes de imbu em canteiros com área de 3 x 1 m com 30 cm de profundidade com substrato de areia lavada em 3 repetições com sementes provenientes da mesma planta. O trabalho foi realizado no período de janeiro a dezembro de 2004 em uma área sob tela sombrite com redução de luz de 50%, em temperatura ambiente na Embrapa Semi-Árido em Petrolina " PE. Os canteiros foram irrigados diariamente com uma lâmina de água de 0,75 mm. Aos 120 dias de crescimento, foram colhidas as plantas e retirado os xilopódios para o processamento do picles com o seguinte fluxograma: colheita das plantas; lavagem em água corrente por 5 minutos; corte do xilopódio; retirada da casca do xilopódio; lavagem do xilopódio em água clorada por 30 minutos; classificação; acondicionamento em vidros; adição da salmoura; branqueamento em água (80° C) por 30 minutos e; tratamento térmico por 40 minutos em banho Maria a 96°C. Para o processamento do picles, utilizou-se uma salmoura preparada com 50 g de sal, 10 g de ácido cítrico e 10 g de ácido ascórbico, adicionados a 2000 ml de água. O picles foram acondicionados em vidros com capacidade de 500 ml, contendo em média 333,33 g de salmoura e 166,67 g de xilopódio e armazenado em temperatura ambiente por trinta dias.


A análise sensorial foi realizada através de testes de degustação por um painel de 68 degustadores não treinados, para avaliação da aparência, sabor e textura, utilizando-se uma escala hedônica de 9 pontos recomendada por MORAES (1990). Os tratamentos se constituíram por três diferentes formas de apertização: 1) xilopódio in natura; 2) picles com ácido cítrico (C6H8C7) e; 3) picles com ácido ascórbico (C6H8O6). Para análise dos dados, utilizou-se o delineamento experimental em blocos ao acaso, com três tratamentos e quatro repetições.





RESULTADOS E DISCUSSÃO





As plântulas de imbuzeiro aos 120 dias de crescimento. A altura média das plântulas foi de 80,22 cm, com um diâmetro basal do caule de 0,97 cm. Os xilopódios apresentaram um tamanho médio de 14,23 cm, com diâmetro variando entre 2,88 a 3,54 cm. O peso médio dos xilopódios foi de 52,27 g. Esses valores referentes às dimensões das plântulas são semelhantes aos encontrados por LIMA (1994).


A preferência dos provadores para o xilopódio in natura demonstrou que 50,27% dos provadores indicaram o atributo "gostei muito" para a aparência e 25,87% foram indiferentes em relação ao sabor. A textura do picles do xilopódio in natura apresentou maior dureza, o que dificultou sua mastigabilidade pelos degustadores, dos quais, 58,39% indicaram o atributo "desgostei muitíssimo". Esses resultados são semelhantes aos encontrados por ISEPON et al. (1997) em relação à textura do picles de couve-flor.


O picles com ácido cítrico, obteve a maior pontuação para a textura, com 55,78% dos provadores indicando o atributo "gostei regularmente". Para a aparência e o sabor, 20,77% dos provadores indicaram o atributo "gostei muito". Esses resultados indicam que o processamento dos picles altera de forma positiva as suas características organolépticas, com destaque para a textura, onde o processamento proporcionou uma menor dureza dos picles, que possibilitou melhor mastigabilidade pelos degustadores. Esses atributos, também foram encontrados por MONTEIRO (1984) e LARMOND (1987) quando avaliaram à aceitação de produtos utilizando a escala hedônica.


O picles do xilopódio processado com ácido ascórbico obteve a maior pontuação para a textura, com 40,58% dos provadores indicando o atributo "gostei muito". Para a aparência e o sabor, 38,76 e 39,22% dos provadores, respectivamente, indicaram o atributo "gostei regularmente". Outros 7,88% dos degustadores indicaram o atributo "gostei muitíssimo" para o sabor.


A análise de variância dos dados obtidos indicou que, em relação à aparência, não houve diferença significativa entre os picles, mesmo que, o picles do xilopódio in natura tenha obtido a maior média. Quanto ao sabor, o picles processados com ácido cítrico e ascórbico, obtiveram as maiores médias, sendo o picles processados com ácido ascórbico o mais preferido pelos degustadores. O picles processados com ácido ascórbico proporcionaram um sabor mais salgado, o que obteve a maior preferência dos provadores. Já o sabor do picles processado com ácido cítrico, apresentou um sabor ligeiramente salgado. Por outro lado, o xilopódio in natura apresentou um sabor mais adocicado, para qual os degustadores apresentaram certa indiferença. Em relação à textura, foram detectadas diferenças significativas entre o xilopódio in natura e os processados com os ácidos, quanto à dureza e mastigabilidade, embora essas diferenças sejam pequenas estatisticamente, na avaliação sensorial, a textura do xilopódio in natura foi determinante para a pouca aceitação do mesmo pelos degustadores.








CONCLUSÕES





O uso do xilopódio do imbuzeiro para o consumo humano na forma de picles, processado com salmoura de 2,5% de sal comum e 0,5% de ácido ascórbico foi o mais preferido pelos provadores, seguido do picles processado com a salmoura de 2,5% de sal e 0,5% de ácido cítrico; 2) O xilopódio in natura não obteve boa aceitação quanto à textura.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS








ANJOS, J. B. Extrator de sucos vegetais a vapor. Petrolina: Embrapa-CPATSA. 1999. 3p. (Embrapa-CPATSA. Comunicado Técnico, 85)


CAVALCANTI, N. B.; RESENDE, G. M.; BRITO, L. T. L. Processamento do fruto do imbuzeiro (Spondias tuberosa Arr. Cam.). Ciênc. Agrotec., Lavras, v. 24, n. 1, p.252-259, jan./mar., 2000.


ISEPON, J. S.; CAMPOS, S. C. B.; SENO, S.; SEIXAS, E. S. Avaliação sensorial de picles de couve-flor (Brassica oleracea var. Botrytis): diferentes cultivares. In II Simpósio Latino Americano de Ciências de Alimentos, Campinas,. Resumos. Campinas. 1997. 178p.


LARMOND, E. Laboratory methods for sensory evaluation of food. Ontario, Agriculture Canada. 1987. 74p.


LIMA, R. S. Estudo Morfo-anatômico do sistema radicular de cinco espécies arbóreas de uma área de Caatinga do município de Alagoinha-PE. Recife, UFRPE. 1994. 103 p. (Tese Mestrado)


MONTEIRO, C. L. B. Técnicas de avaliação sensorial. 2ed. Curitiba, UFPR/CEPPA. 1984. 101p.


MORAES, M. A. C. Métodos para avaliação sensorial dos alimentos. 7 ed. Campinas: UNICAMP. 1990. 93p.


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