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Imbu Brasil
Desde: 03/04/2001      Publicadas: 27      Atualização: 12/05/2012

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  01/10/2005
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Alimentação dos animais na seca
Resumo

Na região semi-árida do Nordeste as irregularidades das chuvas têm contribuído para que os sistemas de exploração dos pequenos agricultores não alcancem resultados satisfatórios com implicações severas para as condições de renda e, conseqüentemente, de vida, desses agricultores. O rebanho de caprinos, predominante na região, vive em sistemas de pastejo extensivo, onde a caatinga é o principal sustentáculo para os animais. O objetivo deste estudo foi identificar que plantas nativas da caatinga os pequenos agricultores de cinco comunidades localizadas na região semi-árida dos estados da Bahia e Pernambuco utilizaram para alimentação dos animais na seca de 2003. Para realização deste estudo, foi aplicado um questionário junto a 153 pequenos agricultores das comunidades de Santo Antônio (Jaguarari, BA), Riacho do Sobrado (Casa Nova, BA), Poço do Canto (Petrolina, PE), Caldeirão da Serra (Uauá, BA) e Sítio Caladinho (Curaçá, BA) no período de janeiro a dezembro. Os resultados obtidos demonstraram que na seca, as plantas mais utilizadas nas comunidades para alimentação dos animais foram o mandacaru, a macambira, o xique-xique, o facheiro e a coroa-de-frade.
Alimentação dos animais na seca
Introdução

A região semi-árida do Nordeste é constituída por várias sub-regiões, onde predominam uma grande diversificação de clima, vegetação, solo, água e de aspectos socioeconômicos. Todavia, quando há longos períodos de estiagem, toda região sofre com as calamidades da seca.
Na caatinga predominam árvores e arbustos baixos muitos dos quais apresentam espinhos, microfilia e algumas características xerofíticas (Prado, 2003). Nessas regiões algumas espécies como a juerminha (Desmanthus virgatus, L. Willd), a faveira (Parkia platycephala Benth), o juazeiro (Ziziphus joazeiro Mart), o imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda), o mororó (Bauhinia cheilantha, Bong. Steud.), o feijão bravo (Capparis flexuosa L.), a maniçoba (Manihot pseudoglaziovii Pax & K. Hoffm.), o pau-ferro (Caesalpina férrea Mart.), a favela (Cnidoscolus phyllacanthus Pax & H. Hoffm.) entre outras, são de grande importância para o pastoreio dos animais, principalmente os caprinos na época de estiagem que ocorre na região.
O rebanho de caprinos da região semi-árida do Nordeste esta estimado em 8,3 milhões de cabeças (Araújo, 2004). Este rebanho vive em sistemas de pastejo extensivo, onde a caatinga é o principal sustentáculo para os rebanhos (Medeiros et al., 2000).
O objetivo deste estudo foi identificar que plantas nativas da caatinga os pequenos agricultores de cinco comunidades localizadas na região semi-árida dos estados da Bahia e Pernambuco utilizaram para alimentação dos animais na seca de 2003.

Material e Métodos

Para realização deste estudo, foi aplicado um questionário junto aos pequenos agricultores das comunidades de Santo Antônio (Jaguarari, BA), Riacho do Sobrado (Casa Nova, BA), Poço do Canto (Petrolina, PE), Caldeirão da Serra (Uauá, BA) e Sítio Caladinho (Curaçá, BA) no período de janeiro a dezembro de 2003. A população estudada foi constituída por 153 pequenos agricultores, selecionados por meio de uma amostra aleatória simples, considerando-se o nível de significância de 5% de probabilidade e o desvio-padrão de 10%.
Após a seleção dos agricultores nas comunidades, foram realizadas visitas mensais durante todo o ano de 2003 em cada comunidade para o levantamento das plantas nativas da caatinga que estavam sendo utilizadas pelos agricultores para suplementação alimentar dos animais no período de estiagem.
As variáveis analisadas foram as seguintes: 1) agricultores que utilizaram o mandacaru (Cereus jamacaru D.C.); 2) agricultores que utilizaram a macambira (Bromelia laciniosa Mart. ex Schult.); 3) agricultores que utilizaram o xique-xique (Cereus gounellei); 4) agricultores que utilizaram a coroa de frade (Melocactus Zehntneri (BR. & ROSE) LUETZELB.); 5) agricultores que utilizaram o facheiro (Pilosocereus pachycladus Ritter); e 6) agricultores que utilizaram outras alternativas para alimentar os animais no período de seca. Para análise estatística dos dados foi utilizado o procedimento PROC TABULATE que compõem o SAS (SAS, 1999).

Resultados e Discussão

Na seca de 2003 os agricultores das comunidades acompanhadas utilizaram, em sua maioria, o mandacaru, a macambira, o xique-xique, a coroa-de-frade e o facheiro para suplementação alimentar dos animais no período de estiagem que ocorre na região. Essas alternativas tem-se demonstrado capazes de suportarem os efeitos das secas e servirem de sustentos para os bovinos, caprinos e ovinos.
O mandacaru foi à planta mais utilizado na comunidade de Sítio Caladinho onde 64,29% dos agricultores utilizaram essa alternativa para alimentação dos animais. Essa mesma tendência ocorreu na comunidade de Caldeirão da Serra onde 54,55% dos agricultores entrevistados utilizaram o mandacaru no período de seca de 2003. Os resultados obtidos por Barbosa (1997) demonstraram que o mandacaru e o facheiro utilizado no período de seca são excelentes fontes de proteína bruta para os animais com teores de 9,9 g/kg (de massa verde), aproximadamente.
O mandacaru também é utilizado no Agreste da Paraíba pelos agricultores como planta forrageira na seca (Lima e Sidersky, 2002). A macambira foi utilizada por 21,28% dos agricultores de Poço do Canto e 18,75% dos agricultores da comunidade de Riacho do Sobrado. O xique-xique e o facheiro foram utilizados por 10,64% dos agricultores da comunidade de Poço do Canto. A coroa de frade foi utilizada por 9,38% dos agricultores da comunidade de Riacho do Sobrado. Na comunidade de Santo Antônio, 21,05% dos agricultores utilizou outras alternativas para suplementação dos animais, tais como, farelo de trigo, farelo de algodão, palma forrageira, etc. Todavia, essas alternativas têm um custo maior para os agricultores que muitas vezes vendem parte do rebanho para compras este tipo de ração.
Quanto à composição química bromatológica das plantas mais utilizadas pelos agricultores nas comunidades, detectou-se que o mandacaru contém 12,91% de matéria seca, 6,56% de proteína bruta, 10,86% de fibra e 87,09% de umidade. Na macambira foram encontrados 14,44% de matéria seca, 4,99% de proteína bruta, 28,81% de fibra bruta e 85,56% de umidade. No facheiro observou-se um percentual de 12,86% de matéria seca, 15,66% de proteína bruta, 5,32% de fibra bruta e 87,14% de umidade. Na coroa-de-frade as análises indicaram que a presença de 11,47% de matéria seca, 7,84% de proteína bruta, 6,32% de fibra bruta e 85,53% de umidade e no xique-xique a análise detectou 10,99% de matéria seca, 5,10% de proteína bruta, 7,81% de fibra bruta e 89,01% de umidade.

Conclusões

O mandacaru, a macambira, o facheiro, o xique-xique, a coroa-de-frade, entre outras plantas nativas da caatinga, tem-se mostrado como alternativas de grande valor para sustentação dos rebanhos nos períodos de seca. Contudo, a utilização constante dessas plantas, principalmente, nos anos de secas sucessivas pode levá-las à extinção.

Referências bibliográficas

ARAÚJO, G. G. L. Cultivo Estratégico de forrageiras anuais e perenes visando a suplementação de caprinos e ovinos no semi-árido do Nordeste. Agronline. Disponível em: , Acesso em 17 jun. 2004.
BARBOSA, H. P. Tabela de composição de alimentos do estado da Paraíba - Setor agropecuário. João Pessoa: UTPB/FAPEP, 1997. 165p. il.

LIMA, M.: SIDERSKY, P. O papel das plantas nativas nos sistemas agrícolas familiares do Agreste da Paraíba. In.: AGRICULTURA FAMILIAR E AGROECOLOGIA NO SEMI-ÁRIDO: avanços a partir do Agreste da Paraíba. Rio de Janeiro: AS-PT, 2002. 355p.

MEDEIROS, L. P.; GIRÃO, R. N.; GIRÃO, E. S.; LEAL, J. A. Caprinos. Embrapa - CPMN/SPI, Teresina, PI. 2000. 6p.

PRADO, E. D. As caatingas da América do sul. In.: Ecologia e conservação da caatinga. (Editado por Inara R. Leal, Marcelo Tabarelli, José Maria Cardoso da Silva; prefácio de Marcos Luiz Barroso Barros). Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2003. 822 p.: il..

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